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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

LINGUAGEM EVANGÉLICA

Uma vez, esperando uma empresa de fotografia abrir, um senhor que estava a minha esquerda disse: “eu estou no estrito viu”! Logo o disse: “o senhor é evangélico e já tem uns bons anos nessa caminhada, não é?!” Prontamente ele me respondeu que sim. Eu sabia, no mínimo, ele já teve uma experiência evangélica entre os anos 80 a 90 e poucos. Descobri isso pela sua fala. A palavra “estreito”, geralmente ela era usada pelos evangélicos no período que citei.
A gente não costuma refletir que possuímos linguagens próprias, que há expressões que certamente não são compreendidas de primeira mão pelos “não evangélicos”. Estou pensando em quantas pessoas entraram em nossas comunidades e não conseguiram entender o que falamos devido às expressões tipicamente feitas para os evangélicos. Sem desmerecer ou ridicularizar a canção que descreverei a seguir, muito menos aos irmãos que a cantam, os que a escreveram e a ministram em suas comunidades; no entanto gostaria de transcrever parte dela aqui: “Quem quer a glória traz a arca/ Quem quer o fogo traz sacrifício/ Quem quer a vida que suba a cruz / Quem deseja o favor do Rei/ Toca na ponta do altar/ Quem quer resposta/ Queima incenso/ Quem quer a cura/ Toca no manto/ Quem quer a honra/ Rasque suas vestes/ Quem deseja o favor do Rei/ Toque na ponta do altar...” Será que uma pessoa “não do nosso meio” compreenderia o que quer dizer “trazer a arca”? “Traz o fogo”? “Toca no manto”? E assim por diante.
Será que nosso idioma “evangeliguês”, de certa forma, não impede de que pessoas conheçam o Reino de Deus? Não será que estamos fazendo um caminho inverso que o evangelho nos mostra? Nas linguagens pelas antigas alianças do Antigo Testamento Deus havia se revelado especificamente a um povo, “um gueto”, “uma tribo”, especificamente em uma língua por meio de uma nação. Mas ele, decididamente não quis permanecer assim. Fez-se homem. Fez-se carne. Uma pessoa como todas as pessoas antes dEle. Uma pessoa, como todas as pessoas que foram presentes à sua época, assim uma pessoa como todas as outras depois Ele. E assim, é bem sabido, que, em uma Nova Aliança, em Cristo Jesus, Deus tomou uso de todas as linguagens. Os gestos e falas de Jesus, como toda a sua vida, é perfeitamente entendida por toda a humanidade. Nele Deus se fez completamente entendível.
Não estranhos construímos um caminho de desentendimento? Li um texto de Rubem Alves que dizia que Pentecoste é Babel ao contrário. Em Babel, as línguas foram multiplicadas, e os homens não se entendiam mais. No Pentecoste, os homens, por meio de uma capacitação divina, se fizeram compreensíveis quando falaram vários idiomas de diversas nações que estavam presente. Agora pergunto, e qual dessas situações o Reino de Deus saiu ganhando com o uso da linguagem?
Jesus, o Verbo de Deus – Palavra de Deus, Imagem de Deus, Comunicação de Deus – se fez carne, tornou-se pessoa. E desde então Deus se tornou, incrivelmente conhecido em carne e em verbos (palavras). Será que nosso evangeliguês não quebra o que Jesus, o Verbo, nos deu em sua Aliança? O Verbo de Deus não pode ficar recuso no nosso gueto evangélico. É preciso nos tornar compreensíveis. É Preciso fazer que o Reino de Deus cada vez mais compreensíveis.
Rubem Alves foi muito feliz na sua comparação entre Babel e Pentecoste. Mas gostaria, para finalizar, ampliar essa análise. Em Babel, o homem queria chegar aos céus. Queriam isso por eles mesmos, sem verbo, sem o próprio Deus em carne. Por isso Deus os condenou a não intercalações. Passaram a ficar incomunicáveis. Pessoas sem o Verbo, e por isso, sem “verbalizar” (se comunicarem em Deus) não chegaram ao céus e perderam relacionamentos antes construídos. No Pentecoste, homens, governados pelo Verbo, vivendo a vida do Verbo em suas próprias carnes, agora verbalizam Deus (comunicam seu Reino, sua graça) mesmo sem saberem  idiomas, mesmo naquela mesma situação em que em Babel os homens tiveram que se separarem. Agora, homens se reúnem, comunica-se, o Verbo faz Deus conhecido através de pessoas. E assim pessoas, por Verbo em carne, encontram o Reino dos céus!
Que diferença né?!  De perdidos para salvos graça ao “Verbo” usado. De pessoas como empecilhos à pessoas como instrumento de conquistas honradas. Evangeliguês, dá para erradicar?!!!

domingo, 28 de agosto de 2011

PROTESTO CONTRA A SECULARIZAÇÃO


Os post´s do Site Cristianismo Criativo tem sido muito relevante pra mim. Além do texto “Cristianismo Clichê”, de Gerson Borges; agora o texto de Tais Machado – “Arte, Sociedade e Espiritualidade” – tem sido significante para mim. Li nesse texto de Taís algumas coisas sobre protesto contra a secularização que me motivaram a também escrever sobre esse tema.
A igreja de Cristo, espalhada nas comunidades evangélicas, tem-se acostumado com a alguns padrões de tradição interpretativa das escrituras, bem como à expressões que sustentam perspectivas nas quais foram submetidas. Uma destas perspectivas é a visão secularista que traz uma dualidade na própria vida da comunidade.
Através do argumento da secularização dizem que uma coisa pertence ao “mundo de Deus” e outra não, nisto, esta outra é vista como secular – não pertencente ao Reino de Deus e nem do seu povo. Não importa o quanto uma pessoa se dedique ao que faz, se não “pertence ao povo de Deus” tudo o que fizer é tido como segurar. É bom, bonito, toca o coração, faz bem a alma, mas não é próprio circulo evangélico.
Sei que há coisas nessa vida que não edificam. Considero isso uma verdade. Porém me preocupo é com o principio avaliativo quando pessoas usam o conceito da secularização. “Não faz parte do nosso circulo, não pertence a Deus”. Fico a imagina Isaias falando à “nação escolhida de Israel: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita...” Is. 45.1. Essa profecia foi dita 200 anos antes de Ciro nascer. Ciro foi estadista de uma nação que poderíamos chamar de “pagã”. No entanto, Deus chamou de Ciro de seu ungido. E ainda, ele foi erguido como estadista para cumprir com um propósito de Deus. A argumentação secularista evangélica do nosso tempo talvez não permitiria uma mensagem como esta de Isaias nos dias de hoje. Talvez poderíamos utilizar como desculpa, como eu já a ouvir, a seguinte expressão: “as pedras clamam, mas não deveriam”.
Além do gravíssimo problema de ferimos pessoas, a repetição e promoção do conceito secularista, tem ainda de muito alarmante uma pretensão muito ousada que, mesmo sem perceber, acabamos fazendo quando reafirmamos e espalhamos a visão secularista; que é, no fundo, “uma tentativa de tirar Deus do mundo”. As pessoas e o que elas fazem, na nossa “visão evangélica secularista”, se não fazem parte do nosso circulo, tais pessoas e o que elas fazem não pertencem a Deus e não podem serem apreciadas por nós. Não sei como podemos encaixar nesta visão o texto de Salmos 24.1: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam”.
Ouvi uma história de uma pessoa que gosto muito de escutar – Enéias Rodrigues, da Comunidade Carisma de São Paulo. Nessa história, os jovens se ajuntaram e fizeram um churrasco. No domingo à noite, o pastor marcou um reunião com os jovens após o culto e disse: “Vocês parecem pessoas do mundo. Estão fazendo festa. Cadê a santidade ao Senhor?!”. Um dos jovens interpelou o pastor e disse: “mas Jesus não foi a uma festa?!”. O pastor retrucou: “foi mas não deveria ter ido!”. Já recontei essa história a várias pessoas. Todas


riram. Eu mesmo já ri muito dela, e até hoje eu dou risadas. Minha dúvida é se hoje iriamos criminalizar Jesus por ter atitude secular por participar de uma festa. Mas talvez, ludibriamos nossos próprios pensamento  evangelizando (dizer que o casamento que o casamento que Jesus foi fora evangélico) a festa que Jesus participou. Mas o que diríamos de Jesus transformar água em vinho e com isso dar vinho as pessoas? Não seria isso secular aos nossos olhos supra evangélicos? Na verdade, sem querer generalizar, essa parte do capítulo dois de João que nós evangélicos não nos damos muito bem. Será porque hem?
Precisamos sermos mais honestos. Necessitamos de deixar Deus ocupar o seu oficio mais que natural e perfeitamente cabível a Ele de governar este mundo. E assim deixarmos em suas mãos dizer o que pertence ou não pertence a Ele. Como disse, ainda há manifestações de coisas e situações nesta vida que não nos edificam. Porém, temos que nos encher da mesma visão de Cristo quando ele assentava para comer com pecadores, quando ele participava de uma festa. Hoje temos a necessidade de deixarmos de julgar as pessoas, seus trabalhos e habilidades para focarmos no que o Espírito de Deus nos ensina ou não com a vida ou feitos de quaisquer pessoas. Sinceramente acredito que nesse princípio está a funcionalidade prática do que nos edifica ou não. A final não deve ser atoa que uma versão de Salmos 68.18 diz que “até aos ímpios Deus concedeu dons”. E ainda, com muita simplicidade, ouso dizer que esse pequeno relance em salmos 68 do que mais para frente Jesus viveria e nos ensinaria seja apenas um aio (como costumava falar o apóstolo Paulo) do que o próprio Senhor revelou através da experiência de Pedro – Atos 10.15 -: “não faça comum ao que Deus purificou”.  Difícil, você não acha? Pois então, Deus teve que dizer isso a Pedro três vezes para ver se ele entendia o que Seu Espírito queria dizer a ele.

Fabiano Souza

REINO DE DEUS ENTRE NÓS

Li um texto no site Cristianismo Criativo (www.cristianismocriativo.com.br) escrito por Gerson Borges – Cristianismo Clichê. Gostei muito. Foi a citação de uma frase muito comum que me levou a escrever esse artigo: “vamos entrar na presença de Deus”. E comecei a pensar quando entramos na presença de Deus? Ou quando é, como seus filhos – em Cristo Jesus – que estamos fora de sua presença. Bem sei que a frase citada não faz referência a entrarmos na presença de Deus em relação a sua onipresença, e sim, a sentirmos sua presença entre nós e ao que também de forma clichê chamamos de “peso da presença de Deus”. 
Parei para refletir nessa expressão “vamos entrar na presença de Deus”. E fico pensando, nessa perspectiva, “quanto tempo então passamos em sua presença”? A gente não repara e não paramos para pensar o que ouvimos e repetimos por ai. Jesus, veio nos ensinar uma vida muito deferente das que os religiosos do seu tempo vivia, e hoje tenho que concordar que a vida de nosso Mestre também nos dá ensinamentos muito diferenciado do que ouvimos e vemos por ai.
O evangelho narrado por Marcos e por Mateus, logo de início diz uma palavra muito significante de Jesus: “O tempo está cumprido, o Reino de Deus está próximo, arrependei-vos e crede no evangelho”; “Arrependei-vos porque o Reino dos Céus é chegado”. Mc. 1.14 e Mat. 3.2, respectivamente. O Reino de Deus está entre nós. E a maior benção desse Reino é que o próprio Deus está entre nós. É isso que nosso Cristo veio trazer de maior novidade na sua NOVA ALIANÇA no seu sangue – Deus em nós, Deus entre nós. Deus não está apenas na vida de cada pessoa que assume viver o evangelho da Graça de Deus, mas também na relação que há entre um e outro dos que se comprometeram com um novo modelo de vida em Jesus. A pessoa de Deus está em cada discípulo de Jesus e se manifesta na comunhão, interação, ministração, na vida de uma pessoa a outra.
E isso é o que há de maravilhoso. A NOVO ALIANÇA pelo sangue de Jesus não nos propõem um processo ritual como no Antigo Testamento em que sacerdotes entravam na presença de Deus e até corriam risco em fazer isso. Em Jesus, no Reino de Deus entre nós, já estamos na presença de Deus. Sei que há algo significativo quando reunidos, a igreja (pessoas) de Cristo experimenta mais da graça de Deus. Mas isso não é porque com a nossa reunião, ou porque o apóstolo tal, pastor tal, ungido tal está orando, mas sim porque passamos a nos relacionar com a presença de Deus que desde a NOVA ALIANÇA está em nós e entre nós.
Precisamos não é de mais cultos semanais, mas sim de um forte compromisso de atentarmos para presença de Deus em nós e nos relacionarmos mais com ela no nosso dia a dia, nas nossas decisões, nas nossas escolhas e planos. Precisamos nos relacionar mais com as pessoas de Deus e recebermos e doarmos mais de Deus entre nós, o maravilhoso uns aos outros tão simples e poderoso no evangelho. Reino de Deus – presença de Deus – em nós e entre nós deve ser isso não é?

Fabiano Souza