Os post´s do Site Cristianismo Criativo tem sido muito relevante pra mim. Além do texto “Cristianismo Clichê”, de Gerson Borges; agora o texto de Tais Machado – “Arte, Sociedade e Espiritualidade” – tem sido significante para mim. Li nesse texto de Taís algumas coisas sobre protesto contra a secularização que me motivaram a também escrever sobre esse tema.
A igreja de Cristo, espalhada nas comunidades evangélicas, tem-se acostumado com a alguns padrões de tradição interpretativa das escrituras, bem como à expressões que sustentam perspectivas nas quais foram submetidas. Uma destas perspectivas é a visão secularista que traz uma dualidade na própria vida da comunidade.
Através do argumento da secularização dizem que uma coisa pertence ao “mundo de Deus” e outra não, nisto, esta outra é vista como secular – não pertencente ao Reino de Deus e nem do seu povo. Não importa o quanto uma pessoa se dedique ao que faz, se não “pertence ao povo de Deus” tudo o que fizer é tido como segurar. É bom, bonito, toca o coração, faz bem a alma, mas não é próprio circulo evangélico.
Sei que há coisas nessa vida que não edificam. Considero isso uma verdade. Porém me preocupo é com o principio avaliativo quando pessoas usam o conceito da secularização. “Não faz parte do nosso circulo, não pertence a Deus”. Fico a imagina Isaias falando à “nação escolhida de Israel: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita...” Is. 45.1. Essa profecia foi dita 200 anos antes de Ciro nascer. Ciro foi estadista de uma nação que poderíamos chamar de “pagã”. No entanto, Deus chamou de Ciro de seu ungido. E ainda, ele foi erguido como estadista para cumprir com um propósito de Deus. A argumentação secularista evangélica do nosso tempo talvez não permitiria uma mensagem como esta de Isaias nos dias de hoje. Talvez poderíamos utilizar como desculpa, como eu já a ouvir, a seguinte expressão: “as pedras clamam, mas não deveriam”.
Além do gravíssimo problema de ferimos pessoas, a repetição e promoção do conceito secularista, tem ainda de muito alarmante uma pretensão muito ousada que, mesmo sem perceber, acabamos fazendo quando reafirmamos e espalhamos a visão secularista; que é, no fundo, “uma tentativa de tirar Deus do mundo”. As pessoas e o que elas fazem, na nossa “visão evangélica secularista”, se não fazem parte do nosso circulo, tais pessoas e o que elas fazem não pertencem a Deus e não podem serem apreciadas por nós. Não sei como podemos encaixar nesta visão o texto de Salmos 24.1: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam”.
Ouvi uma história de uma pessoa que gosto muito de escutar – Enéias Rodrigues, da Comunidade Carisma de São Paulo. Nessa história, os jovens se ajuntaram e fizeram um churrasco. No domingo à noite, o pastor marcou um reunião com os jovens após o culto e disse: “Vocês parecem pessoas do mundo. Estão fazendo festa. Cadê a santidade ao Senhor?!”. Um dos jovens interpelou o pastor e disse: “mas Jesus não foi a uma festa?!”. O pastor retrucou: “foi mas não deveria ter ido!”. Já recontei essa história a várias pessoas. Todas
riram. Eu mesmo já ri muito dela, e até hoje eu dou risadas. Minha dúvida é se hoje iriamos criminalizar Jesus por ter atitude secular por participar de uma festa. Mas talvez, ludibriamos nossos próprios pensamento evangelizando (dizer que o casamento que o casamento que Jesus foi fora evangélico) a festa que Jesus participou. Mas o que diríamos de Jesus transformar água em vinho e com isso dar vinho as pessoas? Não seria isso secular aos nossos olhos supra evangélicos? Na verdade, sem querer generalizar, essa parte do capítulo dois de João que nós evangélicos não nos damos muito bem. Será porque hem?
Precisamos sermos mais honestos. Necessitamos de deixar Deus ocupar o seu oficio mais que natural e perfeitamente cabível a Ele de governar este mundo. E assim deixarmos em suas mãos dizer o que pertence ou não pertence a Ele. Como disse, ainda há manifestações de coisas e situações nesta vida que não nos edificam. Porém, temos que nos encher da mesma visão de Cristo quando ele assentava para comer com pecadores, quando ele participava de uma festa. Hoje temos a necessidade de deixarmos de julgar as pessoas, seus trabalhos e habilidades para focarmos no que o Espírito de Deus nos ensina ou não com a vida ou feitos de quaisquer pessoas. Sinceramente acredito que nesse princípio está a funcionalidade prática do que nos edifica ou não. A final não deve ser atoa que uma versão de Salmos 68.18 diz que “até aos ímpios Deus concedeu dons”. E ainda, com muita simplicidade, ouso dizer que esse pequeno relance em salmos 68 do que mais para frente Jesus viveria e nos ensinaria seja apenas um aio (como costumava falar o apóstolo Paulo) do que o próprio Senhor revelou através da experiência de Pedro – Atos 10.15 -: “não faça comum ao que Deus purificou”. Difícil, você não acha? Pois então, Deus teve que dizer isso a Pedro três vezes para ver se ele entendia o que Seu Espírito queria dizer a ele.
Fabiano Souza
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