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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

CASA CASINHA CASEBRE CASARÃO


Casa. Casinha. Casebre. Casarão. Uma palavra e suas derivações. Essas ramificações da palavra são vistas, mas o que não percebemos em todos os tipos de análise que o português oferece são as confusões que uma casa pode originar. De uma coisa tão aparentemente simples, que cujo significado cabe numa palavra pequeno – casa – há derivações históricas tão violentas. Exemplo, famílias que quebraram suas relações mais ternas por causa de disputas de heranças e coisas assim.
Além das brigas familiares, o que chamamos de casa tem abrigado muitas guerras por sua causa. Exemplo, Jerusalém – morada de Deus (casa de Deus). Quantas pessoas perderam suas vidas pela disputa dessa casa chamada Jerusalém. Hoje o que sobrou como um pedacinho do que é considerado como Casa de Deus construído por Salomão (Muro das Lamentações) é vigiado como relíquia preciosíssima.
No nosso país vemos uma disputa muito acirrada por uma “casa” em que as pessoas dão muito valor. Nossas palavras e compreensões tem edificado uma casa na qual chamamos de “casa de Deus”. Nela dizemos que Deus habita ali. E é uma compreensão tão forte que modulamos nossas posturas em duas: uma postura dentro da “casa de Deus” e outra fora. Crescemos com afirmações do tipo: menino não faça isso ou aquilo, estamos na “casa de Deus”. Ou até mesmo citações bíblicas como: “guarda o teu pé quando entrares na casa de Deus” Ecl. 5.1; e muitos outros.
É claro que ensinar comportamentos sociais de boa postura e etiqueta faz bem, faz muito bem. Mas o terrorismo evangélico não é benéfico! Terrorismo usando a bíblia e “pensamentos cristãos” causa atrofiações espirituais, mutilações de intimidade com Deus e até mesmo timidez espiritual. Pessoas nascidas em Cristo vivem uma relação de medo com Deus por inserção de pensamentos castradores em suas mentes e com isso se limitam nas manifestações de seus contatos com Deus.
Construímos edificações de tijolos e pedras e a damos o nome de “casa de Deus”. É bem lógico que não é a nomenclatura que é má em si, mas o que causamos nas pessoas com as “mensagens habitações de Deus” que empregamos com essa visão. As pessoas ficam vinculadas ás construções como o lugar em que suas orações são ouvidas mais de presa, ou, “buscar uma benção”, “renovar energias espirituais” (recarregar baterias).
Se olharmos e analisamos onde Jesus mais estive e será que a resposta seria o templo ou sinagoga? Se nos perguntarmos quais foram os locais em que Jesus mais abençoou pessoas, a resposta que encontramos no evangelho, certamente não seria nos templos ou similares.
A antiga compreensão originada no modelo templário de Israel teve o véu rasgado pela morte e ressureição de Jesus. Agora a casa de Deus, poderíamos dizer assim, mudou de lugar. Pessoas são casa, morada de Deus, templos de Deus. E Deus preferiu, Ele mesmo preferiu essa casa (pessoas) a “casa” antiga. Ele escolheu residir em nós. O templo da graça não tem como símbolo as grandes catedrais europeias. A imagem mais significante sobre a morada de Deus nesse novo tempo que Jesus instaurou são pessoas descriminadas, com e pelo pecado, agora são cheias do favor de Deus sendo moradas do próprio Deus.
Porque será que nós, sendo participantes do Reino da graça de Deus, insistimos em uma visão antiga? Porque pensamos em tijolos como casa, esquivamos das pessoas como morada de Deus? Sei que fica mais fácil termos um lugar central para congregarmos pessoas, e que isso não tem nenhum mal em si. Mas até quando vamos inverter os valores de Deus. Porque não valorizamos pessoas e investimos esforços, dividendos totalmente voltados para os prédios. Dizermos que sabemos o que é igreja, é igreja (dizemos pessoas) e o que é templo é templo (prédios), mas nossas práticas, pensamentos e colocações chegam às pessoas de formas bem diferentes. Precisamos nos comprometer com praticas melhores. Voltadas para o que Deus ama – as pessoas. Precisamos nos policiar mais quando ao que pensamos e dizemos a fim de certificamos que não estamos “derribando” o que Cristo construiu.
Gostaria de poder cantar, nos supra valorizados salões evangélicos, uma música intitulada “Casa” do grupo Palavrantiga: Deus preferiu essa carne/ Não quis os templos vos construir com minhas mãos/ Me fez carne/ eu sou morada/ lugar de Deus/ Que não está lá fora/ Mas sim mora dentro de mim/ Abre a porta/ e Ele entrou em casa/ Estou em obra/ Essa morada, um dia será perfeição/ A minha janela são esses olhos que brilham/ Uma coisa ela mostra quem a ilumina/ é o meu amado/ Mudando as coisas de lugar dentro de mim/ Eu sou casa/ Lugar de Deus/ E Ele habita em mim/ Lá fora é frio/ Lá fora é medo/ Tem algo de morte, deserto, vazio/ Morando em mim/ Tu me aquece/ Me ensina a ser livre/ Santo Espirito/ Me enche de alegria/ Eu sou casa/ Lugar de Deus/ E Ele habita em mim”. Mas se, contudo, a voz de retorno aos princípios eclesias praticados por Jesus deixo por final as palavras de Paulo: “Vocês não sabem que são casa de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” I Cor. 3.16.

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